Terminou hoje o Mundial Feminino de Futebol, realizado na Alemanha. A equipe vencedora foi a japonesa, que ganhou seu primeiro título em um mundial de futebol- tanto no masculino, quanto no feminino. Em segundo lugar ficaram as estadunidenses. As japonesas ainda ficaram com o título de artilheira do mundial, melhor jogadora e de fair play (jogo limpo).
A nossa seleção foi eliminada nas quartas de final pelas estadunidenses. Jogando muito bem por sinal.Sob a batuta da super craque Marta deu show enquanto esteve no Mundial. Mas foram derrotadas sobre tudo pela falta de apoio e visibilidade com a qual sofrem desde sempre.
Segundo alguns depoimentos ouvidos por mim está semana, a CBF não tem dado o devido apoio ao esporte e patrocinadores não estariam lá tão interessados em apoiar-lo na sua modalidade feminina. Razões? Não foram levantadas, mas tenho algumas hipóteses.
A despeito das recentes conquistas femininas- recentes sim, pois só votamos a 81 anos, as mulheres de classe média e alta só sairam para trabalhar de fato a partir da década de 60 do século passado ( as mulheres negras já estavam no mercado de trabalho a muito tempo como ganhadeiras, lavadeiras, doceiras e por ai vai)- futebol aqui ainda é visto como coisa de homem. Ok, quando a seleção feminina tem a oportunidade de jogar aqui, os estádios enchem, mas para os patrocinadores injetar dinheiro para mulheres jogarem futebol está ainda fora de cojitação. Talvez a teoria da complementaridade nos dê uma luz. Formulada em meados do século XIX, ela dava o espaço público ao homem e o privado à mulher. Mulheres num campo de futebol, invadindo o espaço público masculino, nem pensar!
E como atividade eminentemente masculina, no "status quo", mulher não tem habilidades para exercê-lá. Bom, o que vi me diz o contrário. E minha percepção é referendada por narradores esportivos, jogadores e técnicos de futebol, que acho que entendem bem do assunto.
Enfim, temos mais é que parabenizar essas mulheres fortes que, ignorando todas as dificuldades, nos dão belos espetáculos. E como fizemos em outros ramos profissionais considerados atividades de uso exclusivo dos homens, ocupar nosso lugar a fórceps, por que de graça e boa-vontade não vão nos dar.
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